05 agosto, 2017

Silêncio






Clarice vive um bom tempo na Suíça, em Berna. Lugar que ela detestava devido ao clima terrivelmente frio e de pessoas nada amistosas.
É desde lugar que ela escreve este conto ou é sobre as sensações vividas enquanto lá morava.

O silêncio é o tema do conto, e este  é mostrado como algo inesperado e ao mesmo tempo,  como se você não conseguisse se livrar dele.
Você pode estar isolado em uma montanha ou na cidade entre seu caos, o silêncio te alcançará onde estiver.



É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor



Lendo este conto me dei conta de que imaginava o silêncio como falta, mas que na verdade ele se trata de excesso.
Excesso de nós mesmos e de nossos conflitos e de situações que se acumulam no decorrer do tempo e que não paramos para avaliar com cuidado.

No texto até cita algumas pessoas que podem tentar cair na armadilha de tentar sair da zona silenciosa, mas é uma tentativa frustrada, já que é algo impossível escapar dele.



É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa



Talvez o único conselho válido seja , como o texto mesmo diz - encarar com coragem este tempo de embate, entre o indivíduo e o silêncio imperturbável.


Para ler as impressões da Silvia sobre este conto. 

  




Clarice Lispector - Todos os Contos
       Editora Rocco - Capa Dura - 656 Pgs
        Organizado por Benjamin Moser




                   
                   Marcia Cogitare




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